Agora tudo parece estar normal, onde era para estar. Um ano novo está para vir, e com ele vai trazer algo padrão, algo rotineiro. Quatro anos irão passar, depois de formados entenderão o porque de não estarem lutando juntos. Não poderiam, pois escolheram levar caminhos diferentes, caminhos que escolheram de acordo com o que sentiam, pessoas tolas. Depois de quatro anos vão entender como erraram, mas não vão poder fazer nada, afinal, não contem mais nenhum laço para saber onde o outro está. Mais quatro anos irão se passar, e conforme pensado, ele estará casado, com alguma pessoa e pensando em ter um filho, em um apartamento não muito grande em uma área nobre de sua cidade natal. Já ela estará com o seu noivo, pensando se será uma boa se casar, depois de ter se tornado uma grande engenheira. Com trinta e dois anos, ele é convidado para uma grande palestra no maior hotel da cidade, onde estarão reunidos os maiores engenheiros da região, ele que pensava que quase havia desistido dos seus estudos, começou a dar valor a tudo que passou para isso. Quando chega ao recinto, não se incomoda com as pessoas que não conhece, e no grande salão onde todos estavam olhando para o palco, enquanto o anfitrião falava, ele olha para sua direita, e nunca mais se esquece dessa cena. Ele ficara abismado, que com os trinta anos que tinha, não havia parado de pintar mechas do cabelo de azul, mas via que se tornará uma grande mulher, e que o óculos ainda deixava ela muito bela. Após ter voltado seu rosto para a atenção do anfitrião, ela olha para a esquerda, e não muito longe abre um grande sorriso, algo que não fazia geralmente, e pensa em correr até ele, mas se lembra, está acompanhada de seu noivo e fica estática. Vão para casa, e seus pensamentos são os mesmos, "tomará que esteja bem". Mais um ano se passa, e a cena não parava de repetir consecutivamente em suas cabeças. Em um dia de feriado, ele passeia com sua família, sua filha de 2 anos e sua mulher de trinta e quatro, em uma praça da cidade. Compra para sua pequena um colorido balão, e fala para sua mulher cuidar dela um pouco, já que ia para o banheiro. Mas sua mente estava em outro lugar, acende um cigarro e começa a sair pela praça sozinho. Por ironia ou não do destino, vê novamente ela, que estava sentada junta de seu agora marido. Depois de treze anos, ele toma coragem para dizer um "oi, como vai a vida?" apenas para desencargo de sua consciência. Quando chega perto o homem olha para sua cara e pergunta "Perdeu algo aqui senhor?", nisso os olhos de sua amada começam a virar em sua direção. Enquanto a cena ocorria ele falou "Sim, talvez, quem sabe o amor da minha vida". Ao ouvir a voz a mulher olhou rapidamente, enquanto ele já havia virado as costas, mas para ela, aquele cabelo era familiar. Ela se soltou dos braços de seu marido e levantou, ouvindo os suspiros ele para. Lentamente olha para trás, eles se olham novamente um para o outro depois de treze anos. Ficam estáticos enquanto, ela cede e corre para seus braços. O abraço é forte e duradouro. A mulher dele aparece com sua filha e também observa como o marido dela faz. Os dois não se preocupam com o mundo lá fora, mas apenas com o calor de seus corpos. Ele começa "desculpa..." ela termina "não foi culpa sua...". Depois de alguns minutos mergulhados em um pensamento único e profundo, se olham novamente, mas não podem fazer nada. Estavam estáticos, pensando no que fazer, no Natal de treze anos atrás, enquanto ele cedia, sem achar uma solução melhor para ambos.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Universe
Ele estava no ultimo ano de ensino-médio, e não era muito popular em sua escola. Seus gostos e expectativas eram mais do que diferenciadas das pessoas que conviviam com ele, esse era Rodrigo. Estava com quase 18 anos, e muito lamentava aquela vida monótona que estava vivendo. Ele não era muito alto, tinha o cabelo curto e preto, e apesar de se considerar um pouco excluído, ele era bonito, um dos mais do seu ano. Sempre desejou uma vida tranqüila, como assim vivia, mas sentia falta de algo, algo que muito martelava sua cabeça.
Em mais um dia na escola, ele estava com sua turma de amigos, mas não estava prestando atenção neles. Estava de fone, escutando suas musicas e pensando naquilo que pensava, e começou a se preocupar com isso. Passou a primeira aula de matemática sem prestar atenção e sem conversar com ninguém, apenas imaginando o que seria aquilo que fazia falta pra ele. Ele estava sentado junto à parede, olhando para o outro lado da sala. Foi quando viu uma garota que lhe chamou muito a atenção fora da sala, pela janela. Ela tinha a pele muito branca, cabelo preto e era um pouco menor que ele. Enquanto ela passava, ele a fitou com os olhos, e ao mesmo tempo ela olhou para dentro da sala. Não olhará pra ele, mas sim ao professor, e voltou a andar para frente. Ao tempo em que ele pode ver ela, tirou os fones de ouvido e se virou para seu amigo na carteira de trás.
- Quem era aquela lá fora? – Disse Rodrigo
- Ah, aquela? Uma guria de um ano a menos que a gente, por quê? – Disse Thiago, um dos seus melhores amigos.
- Não, nada. – Respondeu Rodrigo.
O tempo começou a passar mais lentamente, e ao mesmo tempo a imagem daquela menina não sumia da sua cabeça. Chegou a hora do intervalo e ele começou a andar por toda a escola, inconsciente de que estava querendo ver ela. Mas não se deparou com ela em nenhum instante. Ele estudava a noite, e o fim do dia passou despercebido por ele.
Quando chegou em sua casa, esquecido já do que precisava completar, não conseguia tirar aquela menina da cabeça, e foi para sua cama. Apesar do cansaço, não conseguia dormir. Começou a imaginar o que ela gostava, se eles tinham os mesmos gostos, se ela iria gostar dele. Nesse transe de pensamentos, começou a dar sono e ele dormiu. No outro dia, acordou sorrindo. Sentiu-se mais aliviado e não sabia o motivo. Levantou da cama e cumprimentou a todos de sua família. Seus pais o admiravam muito, e ficaram felizes por o verem sorrindo, pois naquele tempo, já estavam começando a ficar preocupado com a rispidez e solidão do filho.
Quando chegou a tarde daquele dia, seu amigo Thiago ligou, era um sábado.
- Ei Rodrigo, que vai fazer hoje? Fui convidado para uma festa de uma turma da escola e pediram pra te chamar. – Disse Thiago com certa empolgação.
- Ah cara, não tenho nada para fazer não, mas não sei se estou com esse seu animo de ir também.
- E se eu disser que aquela garota que você comentou ontem vai? Duvido que você vá ficar em casa sem fazer nada. Haha.
Nesse momento tudo mudou para ele, começou a pensar e muito, até a imaginar cenas de como seria aquele momento. Pensou em muitas coisas a se falar, pensou em como ela o receberia, pensou até em como seria o primeiro beijo.
- Ei cara, ta ai ainda? – Perguntou Thiago.
- Ok, você me convenceu Thiago, irei com você.
Desligou o telefone, pulou da cadeira e escolheu sua melhor roupa. Suas vontades era fazer aquilo perfeito e não ter nenhum erro. Até aquele ponto, ele até se esqueceu que não sabia o nome dela. E começou a chamar ela de Anjo em sua mente.
As horas passaram demoradas, mas chegaram. A festa era na casa de uma amiga de Thiago, e os dois chegaram juntos lá. Thiago foi conversar com as pessoas enquanto Rodrigo ficou sozinho. Ele se sentiu até perdido, pois apesar de conviver com aquelas pessoas, ele não tinha nenhuma intimidade. Pegou um pouco de bebida e encostou-se à parede da sala. Era um lugar grande e bonito, e havia realmente muitas pessoas lá. A amiga de Thiago, chamada Amanda, aproveitou que seus pais haviam viajado para dar aquela tal festa.
Rodrigo começou a ficar inquieto, imaginando o quão bonita sua Anja estaria. Pois ele tinha reparado nela apenas uma vez, e ela estava de uniforme. Ele fechou seus olhos, e colocou seu fone, não conseguia deixar suas musicas de lado. Tomou mais um gole de bebida e quando voltava o copo de sua boca, ele a viu. Todos os pensamentos de como ir falar com ela agora acabaram. Ficou nervoso, nervoso até demais. Ela estava do outro lado da sala, e estava com duas amigas ao seu redor. Ele não era bom com esse tipo de coisa, afinal nunca se importou muito.
Foi então que, sem intenção, ela o fitou com os olhos, e ele a encarou de uma vez. Tomou um pouco de coragem e não desviou seu olhar dela. Ela ficou até confusa com aquilo e continuou o olhando. Foi então que Rodrigo soltou suas palavras: “Eu me vejo dentro dos seus olhos” sussurrando, onde ninguém conseguiria ouvir. E apesar de todo o barulho, de todo o movimento, ela pôde ver seus lábios se mexerem. Parecia que foram envoltos com uma luz, e ela retribuiu aquelas palavras singelas, com um lindo sorriso. Ele não pode fazer nada apenas sorrir também. Enquanto isso, ela que estava com um copo na mão, o deixou com sua amiga e começou a caminhar em direção dele. Enquanto caminhava, as luzes do lugar pareciam caminhar juntamente a ela. Ela ficou em fronte dele. E ele não pôde falar nada.
- Eu entendi sua mensagem – Ela começou – E vim retribuí-la.
Por um momento de coragem, ele viu que não tinha mais nada a perder. E começou a falar:
- Eu poderia me perder dentro dos seus olhos, e nunca achar o meu retorno. Eu posso ver que há dores nos seus olhos, mas vejo que há uma saída.
Ela sorriu mais, e mesmo sem saber seu nome, pegou sua mão, e disse “Vem”.
Ele foi levado com pressa para fora da casa, era um gramado lindo, e não estava muito frio naquele dia. Ela sentou-se longe de toda a agitação e falou:
- Vem, senta do meu lado. Hoje o dia é nosso.
Ele sentou do lado dela, ela colocou a mão por dentro dos braços dele e começou a olhar o céu. Os dois agora olhavam para o céu. Ele estava limpo, com bastantes estrelas para uma cidade grande. Ele começou a pensar no que falar pra ela, e olhou para seu rosto.
- Meu nome... – Dizia Rodrigo e foi interrompido por ela, colocando o dedo sobre sua boca.
- Nós teremos muito tempo para isso ainda. – E ela foi em direção dele.
Nesse momento, os dois começaram a se beijar. E não pensavam mais em nada. Ficaram ali por um grande tempo, sem ninguém incomodar. Foi quando ele saiu de lado e disse:
- Olhe pra cima. Está vendo todas essas estrelas? Esse agora é nosso caminho. Vamos tracejar juntos.
- Eu não poderia pedir algo melhor de você. Prazer, meu nome é Sophia.
- Eu sou Rodrigo. E eu acabei de encontrar o que me faltava, o que estava me incomodando.
- Ahn? Não entendi.
- Esquece meu Anjo, deixa para outro dia.
E voltou a beijá-la sem se preocupar com o tempo.
A partir dali, eles continuaram sua vida juntos. Ele tornou-se um renomado psicólogo de sua cidade, enquanto ela atuava na área de publicidade e propaganda em uma grande empresa. O que ele imaginava dela, sobre seus gostos, seus afazeres, não poderiam ser melhores. Eles se sentiam cada vez mais confortáveis quanto a isso. Eles realmente se assemelhavam muito. Daquele tempo em diante, eles teriam uma filha, que se chamaria Marina, o tesouro da vida deles. E nada faltaria novamente para ele, e nem para ela, que também estava sentindo aquele pequeno incomodo antes de se conhecerem. E isso da melhor maneira, se tornou o “seu pequeno universo” para ambos.
História baseada na musica: We Are The Emergency - Ewe-Knee-Verse
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Noah's destiny - pt 1
“Dragões, dragões...” – Era o grito que ecoava na madrugada no meio do mês de agosto, no pequeno vilarejo de Ingda. Noah, despertou com sua mãe em sua fronte e com sua irmã, Lina, no colo. Sua mãe não dizia nada, e ele questionou o por que dela estar quieta, ao mesmo tempo que escutava o alarme do lado de fora da cabana. Então sua mãe saiu do modo estático que estava e disse “Cuide bem de sua irmã e vá atrás de seu pai, sinto nos meus últimos suspiros que ele saberá o que fazer”. Começou a cair lentamente no colo de seu filho e ele ficou abismado com a cena e deu um grito de criança, no qual começará fraco e aos poucos sua voz foi ficando mais forte e intensa, começou a lembrar o rugido de um tigre.
Após segundos de desespero sua irmã puxa seu grande cabelo roxo e sorri para cima. Ele a fita com os olhos e promete pra si mesmo “Independente de meu pai, darei felicidade a minha pequena irmã”. A pega no colo, e começa a arrastar o corpo da mãe para fora da cama, e viu que havia muitos ferimentos em suas costas. – Garras de dragão – Pensou ele. Seu ódio cada vez mais o consumia e começou a imaginar a cena enquanto tentava puxar sua mãe para fora da cabana que agora estava imersa em chamas. Acontece que sua mãe ao proteger sua pequena filha no berço, levou garras nas costas por dragões que ainda eram jovens. Sua casa começou a cair e Noah ficou sem reação e percebeu que não ia conseguir levar sua mãe a tempo. Em um ultimo suspiro ela disse ao seu filho “Vá e me deixe, assim me sentirei honrada do filho que puis no mundo, assim verei a coragem do meu menino, vá e seja forte”. Ele começou a gritar novamente, e num ato de desespero que puxará sua mãe, escapou o braço e ele caiu para trás perto da porta. Sua vontade era imensa e não conseguia aceitar deixar a mãe ali deitada, até que Roal, um dos mais novos sábios do vilarejo o puxou para fora.
- Não, não deixe minha mãe lá, não deixe ela lá – Falava Noah, que ao mesmo tempo seus olhos começaram a brilhar de uma maneira estranha – Me solte Roal, me solte, me deixe, deixe eu pegar minha mãe!
- Sua mãe foi forte, aceite a realidade pequeno, você vai precisar superar a força dela. – Disse Roal, que escutava a cabana cair lentamente.
Noah não acreditava na cena que estava vendo, tinha apenas 12 anos e estava com muito medo e raiva. Olhou para cima e viu os dragões destruindo sua vila. Sua irmã ao ver o fogo, começou a chorar de maneira estridente. Em um breve período de raciocínio pensou que dragões não eram maldosos, e que eram raros naquele tempo.
- Noah, o que você viu aqui hoje, é o feito de uma nova era, o feito de uma era maligna. Eu não sei como te confortar, mas preciso te fazer chegar até seu pai, então por favor, tente esquecer por um momento, pegarei meu cavalo e por favor guie até Artband – Disse Roal aflito – Seu destino não é mais aqui. Mas aqui ficarei para o recomeço de nossa vila.
Correu para o estábulo, e pegou seu melhor cavalo. Treble era seu nome, conhecido como o cavalo de fogo, por sua velocidade incomparável na região. Colocou o menino com sua irmã no colo, que estava amarrada com um pedaço de pano laranja em volta de seu pescoço e começou a parar de chorar um pouco.
- Treble, não me desanime, voe como o vento, voe como o fogo. Leve esses meninos ao encontro do pai, leve-os para seus destinos. – Roal dizia e enviava o cavalo em direção a floresta Lith.